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Caso PM Gisele: Justiça adia para outubro interrogatório de tenente-coronel acusado de matar esposa

A PM Gisele Alves Santana e o tenente-coronel Geraldo Neto, acusado de assassinar a mulher no apartamento onde eles viviam, no Centro de São Paulo. Reproduçã...

Caso PM Gisele: Justiça adia para outubro interrogatório de tenente-coronel acusado de matar esposa
Caso PM Gisele: Justiça adia para outubro interrogatório de tenente-coronel acusado de matar esposa (Foto: Reprodução)

A PM Gisele Alves Santana e o tenente-coronel Geraldo Neto, acusado de assassinar a mulher no apartamento onde eles viviam, no Centro de São Paulo. Reprodução/TV Globo O interrogatório do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de matar a esposa Gisele Alves Santana com um tiro na cabeça, foi adiado pela terceira vez, segundo informou a defesa de Gisele nesta sexta-feira (4) nas redes sociais. Inicialmente, a audiência estava prevista para acontecer em 28 de agosto, mas foi remarcada para 8 de setembro. Agora, deve acontecer no dia 5 de outubro, às 13h. "[O interrogatório] só vai ocorrer, se ocorrer, diga-se de passagem, no mês de outubro. Por que isso? Novamente a defesa está questionando o laudo, diz que não são quesitos similares ao anterior, porém, não passa de procrastinar o feito para que caia no esquecimento da mídia e de toda a sociedade esse crime bárbaro", afirmou o advogado José Miguel Silva, que defende a família de Gisele. Geraldo foi preso preventivamente em 18 de março, quando se tornou réu na Justiça por feminicídio e fraude processual. Inicialmente, ele afirmou que a esposa, que era policial militar, havia se suicidado após uma discussão, mas a versão foi descartada após laudos apontarem feminicídio. O depoimento presencial do oficial da Polícia Militar é a última etapa da instrução criminal antes da decisão que definirá se o réu será submetido a júri popular. O tenente-coronel nega o crime. LEIA TAMBÉM: Julgamento para expulsão de tenente-coronel preso por matar esposa será retomado em 14 de setembro Celular de Gisele foi desbloqueado após tiro na cabeça e teve mensagens apagadas pelo tenente-coronel, aponta investigação 'Nunca fui bandido, sempre salvei vidas', diz tenente-coronel em interrogatório sobre morte de esposa PM Laudos e provas de feminicídio Laudos do IML contestam versão de suicídio no caso da PM Gisele Alves Santana A soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada morta com um tiro na cabeça dentro do apartamento onde morava no Brás, região central de São Paulo, no dia 18 de fevereiro. Ela era casada com o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto e deixou uma filha de 7 anos, de outro relacionamento. Segundo o boletim de ocorrência, o marido alegou que a encontrou caída no chão, com uma arma na mão e intenso sangramento. Gisele chegou a ser socorrida e levada ao Hospital das Clínicas, mas não resistiu. Em depoimento, a mãe da vítima afirmou que o relacionamento era extremamente conturbado e que o oficial seria abusivo e violento, impondo restrições ao comportamento da filha. Segundo o Ministério Público, laudos periciais, reprodução simulada e mensagens analisadas indicam que o tenente-coronel Geraldo Neto segurou a cabeça de Gisele e atirou contra ela, descartando a hipótese de suicídio. Na sequência, ainda segundo a acusação, ele teria manipulado a cena do crime para simular que a soldado teria tirado a própria vida, o que fundamenta a imputação de fraude processual. Gravações das câmeras corporais de policiais militares mostram a disputa de poder hierárquico entre um cabo, que queria preservar o local em que Gisele foi baleada na cabeça – e a autoridade de um oficial de alta patente, o marido dela. As imagens foram feitas no dia do crime, em 18 de fevereiro. Fotos e diálogos das imagens feitas pela câmera corporal do cabo mostram esse embate entre ele e o tenente-coronel. Laudo reforça que PM Gisele não se matou Geraldo insistiu em entrar no banheiro, tomar banho e circular pelo apartamento onde Gisele estava, exatamente o tipo de conduta que acendeu o alerta dos investigadores e enfraqueceu a versão de suicídio sustentada por ele. Em conjunto, vídeos, áudios e horários oferecem à investigação mais do que uma linha do tempo: contextualizam a intenção e materializam a influência exercida na cena, do banho à limpeza e às idas e vindas ao apartamento. É essa soma de condutas, insistir em tomar banho, entrar e circular apesar das advertências, afastar equipes, permitir limpezas e retornar para retirar itens, que robustece a desconfiança sobre a tese de suicídio defendida por Neto e reposiciona o foco do inquérito. Nas imagens, o conflito entre protocolo e hierarquia deixa de ser abstrato e vira prova audiovisual: aquilo que os investigadores podem ver, ouvir e cronometrar. 'Nunca fui bandido' Os detalhes que transformaram o tenente-coronel em réu pelo feminicídio da PM Gisele Alves Em interrogatório à Polícia Civi, o tenente-coronel Geraldo Neto afirmou que “nunca foi bandido” e que sempre “salvou vidas”, ao defender sua conduta. Ele fez uma defesa enfática de sua honra e trajetória profissional de 35 anos na Polícia Militar ao falar sobre o caso à Polícia Civil. Ao explicar por que sua primeira reação após o ocorrido foi abrir a porta do apartamento para os policiais que chegavam, ele disse que buscou afastar qualquer suspeita de adulteração da cena Em seguida, Geraldo declarou: "Eu nunca fui bandido, doutor. Eu sempre salvei vidas, prendi criminosos". Ele também reiterou que sempre pautou sua conduta pelos parâmetros da Polícia Militar, afirmando que foi ensinado por sua mãe a agir corretamente e que sempre seguiu seus princípios religiosos em sua carreira.